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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Em novo mandato, Cristina adota medidas 'impopulares' e causa incertezas


Duas semanas após ser reeleita, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, iniciou a implementação de ajustes da política econômica de seu marido e antecessor, Nestor Kirchner (2003-2007), como o fim de subsídios e mudanças na política cambial --medidas que, segundo analistas, podem causar incerteza e voltar a opinião pública contra o governo.

Neste período de oito anos, o país registrou forte expansão econômica e de consumo, com a moeda desvalorizada, estabilidade financeira, tarifas de serviços públicos congeladas e uma inflação tida por muitos como "maquiada" desde 2007.

Na semana passada, em uma tentativa de conter a fuga de capitais registrada nos dias anteriores, o governo aumentou o controle para a venda de dólares no país. A moeda americana funciona como referência para os argentinos, tanto na hora de poupar quanto de comprar imóveis, por exemplo.

"Sabemos quanto cada pessoa recebe, quanto gasta e se tem ou não dinheiro sobrando para comprar dólares", afirmou nesta semana o diretor da Afip (Administração Federal de Ingressos Públicos, equivalente à Receita Federal), Ricardo Echegarray.

Se o órgão entender que o comprador não tem recursos para a compra da moeda americana, não autorizará sua venda nos bancos ou casas de câmbio.

"VERDADEIRO OPOSITOR"

"O dólar pode se transformar no verdadeiro opositor do novo governo", escreveu o colunista Eduardo van der Kooy, do Clarín, jornal critico do governo, sugerindo que a medida poderia gerar mau humor na classe média argentina.

Desde a semana passada, a Afip enviou fiscais, com cães, para as filas das casas de câmbio para fiscalizar os motivos da compra da moeda americana, gerando criticas dos analistas. O professor de Economia Pública da Universidade Católica Argentina (UCA), Gerardo Sanchis Muñoz, disse à BBC Brasil que a medida poderia provocar "incertezas" entre os argentinos.

"Se as instituições fossem respeitadas, o governo precisaria de uma ação judicial para mandar soldados para as filas de câmbio. Mas na Argentina, o regime presidencialista é concentrado e assim funciona, há pelo menos vinte anos. Mas este estilo se intensificou a partir do governo (Nestor) Kirchner e continuou com Cristina." O economista Orlando Ferreres, da consultoria Ferreres e Associados, afirmou que o governo não implementou "uma só medida impopular" desde 2003, e que era esperado que o governo implementasse alguns ajustes.

"Era esperado que o governo reduzisse os subsídios para diminuir seu gasto público e organizar seu caixa, ainda mais num momento de fuga de capitais. Mas o que não era esperado é que mandasse controlar a venda de dólares, moeda de referência para os argentinos", disse ele à BBC Brasil.

Cristina foi reeleita com ampla margem de votos frente aos candidatos opositores. Por isso a referência agora ao dólar como possível "verdadeiro opositor" diante da fragilidade dos opositores políticos nas urnas.

Segundo o economista Marcelo Elizondo, da consultoria DNI, a presidente, que dá início ao novo mandato no dia 10 de dezembro, pode estar "arrumando a casa" antes da posse. No entanto, para especialistas, a maior dúvida é quando e como o governo reconhecerá "a inflação real", como afirma o economista Ernesto Krtiz, da Sel Consultores.

FIM DE SUBSÍDIOS

Nesta quarta-feira, os ministros da Economia, Amado Boudou, e do Planejamento, Julio de Vido, anunciaram a eliminação da transferência de recursos do governo, chamados de subsídios, para bancos, empresas e até cassinos e hipódromos, que assim deverão pagar mais pelo fornecimento de água, luz e gás.

A ajuda do governo foi decisiva para manter congeladas as tarifas dos serviços públicos privatizados, nas empresas e residências, apesar da disparada da inflação registrada recentemente.

A expectativa é que o governo elimine a transferência de recursos para outros setores o que poderia provocar a alta no preço das tarifas para o consumidor final como se especulou na imprensa local.

"Queremos continuar trabalhando para combater a desigualdade social. Ninguém pode receber subsídio do governo se dele não precisa", disse Boudou. A interpretação dos especialistas foi a de que os que ganham mais poderiam passar a pagar mais pelos serviços e os que ganham menos pagariam tarifas menores.

AUMENTO NO METRÔ

O prefeito de Buenos Aires, o opositor Mauricio Macri, disse que o fim do repasse de verbas do governo central para o metrô da cidade, por exemplo, deverá triplicar o preço do bilhete, passando de 1,10 pesos para 3,30 pesos.

"Esse é o valor que estimamos porque o metrô era responsabilidade do governo nacional, e não do governo municipal", disse Macri. Num artigo no jornal "La Nación", o economista Roberto Cachanosky disse que o corte nos subsídios "pode ser apenas a ponta do iceberg do que virá" no novo mandato.

"O governo anunciou corte de uma parte mínima dos subsídios, mas pode ser um sinal das próximas medidas do governo", afirmou. Para ele, o governo poderia estar resolvendo os problemas que "varreu durante muito tempo para debaixo do tapete", como o congelamento das tarifas.

domingo, 14 de agosto de 2011

Argentinos se preocupam com efeitos do plano Brasil Maior


Os empresários argentinos estão preocupados com os eventuais efeitos que o pacote do plano Brasil Maior possam causar ao país. O anúncio em Brasília gerou em Buenos Aires temores de que a competitividade brasileira - velho pesadelo dos argentinos - aumente, e, consequentemente, intensifiquem os riscos de uma suposta "invasão" de produtos 'Made in Brazil' no mercado local. Fontes da União Industrial Argentina (UIA) afirmam que é preciso verificar qual será o impacto das medidas brasileiras nos denominados "setores sensíveis" da indústria argentina, entre os quais estão os calçados, têxteis, móveis e autopeças.

No entanto, o economista e ex-secretário de Indústria, Dante Sica, relativiza os temores: "se o plano do governo Dilma tiver sucesso e isso gere uma maior reativação econômica no Brasil, implicará na melhora de nossas exportações ao mercado brasileiro".

O ex-secretário de Comércio Exterior, Raúl Ochoa, disse ao Estado que, "caso o plano Brasil Maior funcione, seus efeitos não serão imediatos. Eles poderiam começar a ser sentidos no ano que vem na Argentina. Especialmente no que concerne aos bens de capital". Oficialmente a presidente Dilma Rousseff nada comentou sobre estes assuntos comerciais com a presidente Cristina Kirchner, quando esta esteve em Brasília na sexta-feira passada para uma visita de pouco menos de 24 horas.

Os temores argentinos são acompanhados pelo crescimento persistente do superávit que o Brasil possui com seu parceiro do Mercosul na balança comercial. Segundo um relatório da consultoria Abeceb, em julho o Brasil teve US$ 516 milhões de superávit na relação comercial com a Argentina. O volume implica em um aumento de 37% em comparação com o mesmo mês de 2010.


As exportações brasileiras para a Argentina em julho - as maiores da história da relação bilateral - foram de US$ 2,041 bilhões. Esse volume equivale a um aumento de 25,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. A compra de produtos Made in Brazil em julho colocou a Argentina no terceiro posto do ranking de maiores importadores mundiais do Brasil, atrás da China e dos EUA.

Na contra-mão, as vendas argentinas para o Brasil aumentaram 21,9%, chegando a US$ 1,525 bilhão. Nos primeiros sete meses do ano o Brasil teve um superávit de US$ 2,96 bilhões com a Argentina. No mesmo período do ano passado o superávit acumulado favorecia o Brasil em US$ 1,46 bilhão.

Entre janeiro e julho as vendas brasileiras para a Argentina aumentaram 32,2% em comparação com o mesmo período de 2010. Simultaneamente, as exportações argentinas para o Brasil cresceram 19,5% nos primeiros sete meses deste ano.
Agência Estado

sábado, 13 de agosto de 2011

Foto: Prédio do Ministério do Desenvolvimento Social da Argentina ganhou instalação que homenageia a ex-primeira-dama Eva Perón


Eva Perón, conhecida como Evita, (província de Buenos Aires, 7 de Maio de 1919 — Buenos Aires, 26 de Julho de 1952) foi uma atriz e líder política argentina. Tornou-se primeira-dama da Argentina quando o general Juan Domingo Perón foi eleito presidente.

O mais impressionante na história da vida de Eva foi o caminho meteórico que ela percorreu na vida pública. Entre a total obscuridade ao mais absoluto resplendor pessoal e político da vida e em seguida a morte, tudo ocorreu em apenas 7 anos. Nesse curto período ela saiu do anonimato para se tornar uma das mulheres mais importantes e poderosas do mundo. Na breve existência (morreu aos 33 anos de idade) há muitos mistérios, muitos fatos obscuros mas há principalmente uma personalidade tragicamente marcante.

Trecho adaptado do Wikipédia

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Cristina e Dilma querem ação coordenada para lidar com crise



"Devemos definir ações conjuntas e concretas para defender nossos países da excessiva liquidez que valoriza artificialmente nossas moedas e da avalanche de produtos manufaturados que, não encontrando mercado nos países desenvolvidos, atingem o emprego e a indústria nas nossas regiões", afirmou Dilma.

Já Cristina afirmou que a região precisa ter iniciativa diante da crise. "Mas não se trata de uma posição agressiva, e sim de um reposicionamento da nossa região em um mundo diferente que estamos vislumbrando".
Ela afirmou ainda que Brasil e Argentina têm a responsabilidade de liderar a integração dos países da região.

Dinamismo
A presidente brasileira também destacou os "grandes avanços" na relação entre os dois países e disse que a intenção é aprofundá-la ainda mais. "O dinamismo do comércio entre a Argentina e o Brasil é poderoso instrumento de integração. Em 2010, com quase US$ 33 bilhões de intercâmbio, registramos recorde histórico", afirmou Dilma

"A qualidade de nossas trocas bilaterais – 90% das quais correspondem a produtos industrializados – reflete seu caráter estratégico e seu potencial de irradiação de desenvolvimento. De acordo com a brasileira, diante de uma integração dessa magnitude é esperado que ocorram problemas. Ela disse, porém, que eles estão sendo resolvidos.

Na última quinta-feira, o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, havia afirmado que as restrições ao comércio de produtos dos dois países não deveria entrar na pauta das presidentes, já que esse assunto seria tratado pelos ministérios da Indústria e Comércio de Argentina e Brasil.

Os dois países enfrentam divergências desde que a Argentina ampliou restrições a produtos brasileiros no primeiro semestre e, em retaliação, o Brasil também restringiu a importação de carros argentinos.

Da BBC Brasil

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Brasil e Argentina voltam a barrar produtos na fronteira


A crise comercial entre Brasil e Argentina reacendeu nesta semana com inúmeros produtos dos dois países travados na fronteira. Após reuniões ministeriais para tentar solucionar o problema e declarações mútuas de que os governos trabalhariam pela fluidez do comércio, carros argentinos continuam sem conseguir entrar no Brasil, segundo confirmou à Folha fontes da Adefa (sigla em espanhol para Associação dos Fabricantes de Automóveis).

Pelo lado brasileiro, produtos como eletrodomésticos da linha branca, alimentos e têxteis também estão bloqueados na alfândega do país vizinho, segundo informação da Cira (Câmara de Importadores da Argentina). "Esse vai e vem na relação comercial fica dependente das pressões, não há uma linha de comércio fluída", afirmou Miguel Ponce, gerente de relações institucionais da Cira.

A crise comercial entre Brasil e Argentina, frequente desde 2004, estourou novamente em maio deste ano, quando o governo Dilma decidiu frear a importação de automóveis, medida que afetou todos os países, mas sobretudo a indústria automobilística da Argentina. A decisão foi uma resposta brasileira à adoção de várias medidas protecionistas pelo país vizinho, segundo maior sócio do Mercosul e um dos principais parceiros comerciais do Brasil.

Foto: Roberto Stuckert Filho / PR

A Argentina adota essas barreiras para tentar salvar o superavit de sua balança comercial, que diminui cada vez mais. Os argentinos também estão descontentes com o crescente deficit no comércio com o Brasil, que chegou a US$ 4 bilhões em 2010.

Nesta semana a imprensa argentina informou que o governo de Cristina Kirchner estendeu sua política protecionista aplicando o modelo 1 por 1, impondo aos importadores de bens finais o seguinte modelo: as empresas têm que importar a mesma quantidade de dólares que exportam.

Em maio, para tentar solucionar a crise, Brasil e Argentina acertaram a liberação mútua de US$ 40 milhões em produtos retidos nas fronteiras, mas depois os governos não voltaram a se reunir para tratar do assunto. Na cúpula do Mercosul em Assunção, em junho, as presidentes Dilma e Cristina tinha acertado uma reunião bilateral para tentar pôr fim à crise, mas a mandatária argentina acabou não viajando ao Paraguai. Assim, o imbróglio ainda não foi resolvido.
Por Lucas Ferraz, da Folha de São Paulo

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Cristina Kirchner chega a Brasília e tem recepção calorosa de Dilma

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, chega ao Palácio do Planalto para encontro com Dilma Rousseff. A conversa reservada entre as duas é o primeiro compromisso de uma extensa agenda. Foto: Ailton de Freitas / O Globo
Cristina Kirchner vai inaugurar a nova sede da embaixada argentina na capital federal. A Argentina foi o primeiro país que Dilma visitou após assumir a Presidência da República. Foto: Ailton de Freitas / O Globo
Questões comerciais, como as barreiras argentinas a produtos brasileiros, ficarão em segundo plano nesta visita. O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina. Em 2010, o comércio entre os dois países somou US$ 33 bilhões. Foto: Ailton de Freitas / O Globo
Do EXTRA

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Dilma participa da posse de Ollanta Humala no Peru

Foto: Roberto Stuckert Filho/PresidênciaAmpliar

A presidenta Dilma Rousseff iniciou nesta quinta-feira uma agenda de dois dias voltada para as relações com vizinhos da América do Sul ao participar da posse do presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, em Lima. A cerimônia começa no Congresso Nacional e termina com um almoço oferecido por Humala, no Palácio do Governo. Na sexta-feira, Dilma recebe a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, como parte da agenda periódica de encontros bilaterais.

A presidenta está no Peru desde a noite de ontem (27) e retorna ao Brasil no fim do dia. Dilma deve participar ainda de uma reunião extraordinária da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Um dos temas será a necessidade de integração regional para fazer evitar consequências da crise que afeta os Estados Unidos e países da União Europeia.

"O continente tem que estar preocupado com a situação mundial porque estamos assistindo a modelos econômicos derretendo", disse o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, em entrevista a imprensa.

Segundo ele, uma recessão nos países desenvolvidos afetara a região – especialmente as economias de países como o Peru, que dependem mais de exportações. Daí a importância de uma maior integração regional e da busca de novos mercados, como China e Índia.

Marco Aurélio também falou da tendência de aliar crescimento econômico à melhor distribuição de renda. “Não basta só crescer e a população ficar ao Deus dará", disse ele. Como exemplo, citou o caso de Humala, que inspirou-se no ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e prometeu ampliar os projetos sociais, sem mexer no modelo econômico.

Presidente do Congresso, Daniel Abugattas, coloca a faixa no presidente Ollanta Humala, durante cerimônia de posse

Posse de Humala

O nacionalista Ollanta Humala assume a presidência do Peru após ter vencido uma disputa acirrada com a conservadora Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000).

Humala escolheu o Brasil como destino para a primeira visita após a eleição e explicou ter feito a opção por considerar o país modelo de desenvolvimento econômico com inclusão social. Durante a visita, em junho, Humala declarou a intenção de reforçar a atuação do Peru na Unasul e no Mercosul, onde é membro associado. Citou ainda o narcotráfico como um dos desafios a ser enfrentado em conjunto com os países vizinhos.

Analistas políticos e econômicos avaliam que, internamente, um dos principais desafios de Ollanta Humala será a falta de emprego no Peru e o elevado percentual de pobreza no país – aproximadamente 30% da população são considerados na faixa de pobreza.

Entre os presentes, também figuram o príncipe de Astúrias, Felipe de Bourbon, e os presidentes de Argentina, Cristina Kirchner; Equador, Rafael Correa; Colômbia, Juan Manuel Santos; Uruguai, José Mujica; e Chile, Sebastián Piñera, que chegaram a Lima nesta quarta-feira.

Embora ainda não tenha chegado à capital peruana, Evo Morales, presidente da Bolívia, também é esperado. Após a posse de Humala, os chefes de Estado presentes participarão de uma cúpula da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que será seguida por outra de presidentes dos países-membros da Comunidade Andina (CAN).


Com informações da EFE e Agência da Brasil

terça-feira, 26 de julho de 2011

Presidente argentina confirma ida ao Brasil na próxima semana


A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, confirmou nesta quinta-feira que vai para Brasília na próxima semana para inaugurar a sede da embaixada argentina no Brasil.

"Na semana que vem, a Argentina vai inaugurar sua embaixada em Brasília. Não tínhamos uma sede diplomática. Tínhamos um terreno baldio em Brasília", disse a governante em um ato na cidade de Cañuelas, ao inaugurar as obras da ampliação de uma fábrica da empresa de cimento Loma Negra, controlada pelo grupo brasileiro Camargo Correa.

Cristina relatou que "quando Brasília foi fundada cada país conquistou um lugar no bairro das embaixadas, inclusive tem um para a Argentina, porém só havia ervas-daninhas e pedras".

O falecido presidente da Argentina Néstor Kirchner (2003-2007) "decidiu que ali deveria haver uma delegação oficial da Argentina e eu vou inaugurar na próxima semana como um símbolo do que representa para nós, argentinos, a verdadeira integração", afirmou Cristina. A presidente ainda não definiu o dia de sua viagem ao país vizinho.